quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

I...de Inconsciente

Um destes dias acordei e pensei: a partir de hoje vou começar a mergulhar...sim, a mergulhar diariamente, no meu inconsciente. E assim foi. Todos os dias, durante um período de tempo controlável e não muito longo (para não esgotar todas as energias de uma só vez :)), vestia o fato-de-banho, colocava a touca e lá mergulhava eu, cheia de pose e estilo, no meu inconsciente, tal e qual como se de um mergulho na via láctea se tratasse.

Cada mergulho, cada braçada que dava em direcção ao temido desconhecido, levava-me a lugares diferentes e reviver vivências que desconhecia ou conhecia…ou seja, a redescobrir coisas fabulosas: algumas mais bonitas do que outras, algumas bastante aterradoras até, outras tão ou mais belas do que toda a beleza imaginada e já concebida e analisada por mim.

Depois de vários mergulhos, e de alguns saltos altos partidos pelo próprio salto, conclui que é bem melhor mergulhar no meu inconsciente do que num prato de sopa a ferver e que, sem dúvida, é uma viagem maravilhosa porque durante todo o percurso não fui incomodada por nabos, nabiças e afins :) mas, bem melhor do que isso, é manter-me conscientemente à margem (ou à borda do prato), não deixando, como é óbvio, de fazer a travessia pelo tempo que, gentilmente, a vida me me dá!

E, como muito bem disse Fernando Pessoa, "há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos."

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