«Ophelinha pequena:
Como não quero que diga que eu não lhe escrevi, por effectivamente não lhe ter escripto, estou escrevendo. (...) Cheguei á edade em que se tem o pleno domínio das proprias qualidades, e a intelligencia attingiu a força e a destreza que pode ter. É pois a occasião de realizar a minha obra litteraria, completando umas cousas, agrupando outras, escrevendo outras que estão por erscrever. Para realizar essa obra, preciso de socego e um certo isolamento. (...) De resto, a minha vida gira em torno da minha obra litteraria - boa ou má, que seja, ou possa ser. Tudo o mais na vida tem para mim um interesse secundario: ha coisas, naturalmente, que estimaria ter, outras tanto faz que venham ou não venham. É preciso que todos, que lidam commigo, se convençam de que sou assim, e que exigir-me os sentimentos, aliás muito dignos, de um homem vulgar e banal, é como exigir-me que tenha olhos azues e cabello louro. (...) Gosto muito - mesmo muito - da Ophelinha. Aprecio muito - muitissimo - a sua índole e o seu caracter. Se casar, não casarei senão consigo. Resta saber se o casamento, o lar (ou o que quer que lhe queiram chamar) são coisas que se coadunem com a minha vida de pensamento. Duvido. Por agora, e em breve, quero organizar essa vida de pensamento e de trabalho meu. Se a não conseguir organizar, claro está que nunca sequer pensarei em pensar em casar. Se a organizar em termos de ver que o casamento seria um estorvo, claro que não casarei. Mas é provavel que assim não seja. O futuro - e é um futuro proximo - o dirá.
Ora ahi tem, e, por acaso é a verdade.
Adeus, Oplhelinha. Durma e coma, e não perca grammas.
Seu muito dedicado,
Fernando
29/9/1929»
segunda-feira, 28 de junho de 2010
quarta-feira, 23 de junho de 2010
terça-feira, 15 de junho de 2010
F...de Fronteira
Osho disse algures que "uma definição significa a fronteira além da qual tudo começa",
e eu diria :
E uma fronteira indefinida
é uma outra definição fronteiriça
além da qual tudo o mais termina...
e recomeça!
E tudo o mais é ar,
sem fronteiras nem definições,
onde cada um de nós pode livremente voar;
é fogo, que nos leva a faiscar;
é água, que nos leva a despertar;
é terra, que nos permite germinar...
e, tudo o resto - que é muito -,
é Luz,
para nos iluminar!
e eu diria :
E uma fronteira indefinida
é uma outra definição fronteiriça
além da qual tudo o mais termina...
e recomeça!
E tudo o mais é ar,
sem fronteiras nem definições,
onde cada um de nós pode livremente voar;
é fogo, que nos leva a faiscar;
é água, que nos leva a despertar;
é terra, que nos permite germinar...
e, tudo o resto - que é muito -,
é Luz,
para nos iluminar!
E na faisca do fogo nos queimamos
e esturricamos
em cinzas tornados e
pelo vento levados,
ou esfriamos alagados
mergulhados
em lotus na lama
os pós tornados,
haja o Todo!...
Tema teclado
Devaneios
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