sexta-feira, 30 de outubro de 2009

L...de Lírios

Porque as minhas mãos se fecharam, os punhos desabrocharam nos lírios que floriam em vão, o corpo encolhido se contorce...se contorce e o rosto grita. Palavras ouvi-te dizer em íngreme escalada, a fúria solta e magoada sobre mim a correr... E, do plácido rio, a cratera fez-se de magma voraz, a calma falaz da tempestade cobrindo-se de algas venenosas. Mas já a claridade trouxera das pálpebras fendidas de uma molhada dor, a irisada flor, do inverno matizado de primavera...

Movo-me nas nubladas praias onde a amplitude se renova num gesto salgado: as ondas alargam-se num abraço apaixonado revelando a embriaguez da noite que beija a transparente nudez da matéria envolta em música.



Quero correr, ou somente caminhar na quietude das clareiras que se abrem como cálices de brilhantes lapidados. E, nesse movimento de pétalas polvilhadas com o pólen macio do teu corpo em flor, o nectar derramado a escorrer pela transparência das pálpebras semi-abertas e as abelhas dos nossos lábios a voarem da colmeia de um tempo construído com mel...

Acordo lentamente, abro os olhos devagarinho, estico os dormentes membros do corpo até me sentir renovada pela doce manhã. Mas hoje...hoje procurei nas distâncias renovadas o mistério do dia que errante se desdobrava nas curvilíneas madrugadas do meu corpo...e, a paz foi-se despindo de medos, procurando numa caricia a ternura suave dos teus dedos a deslizarem na minha pele...

Amar-te pela manhã com o corpo em fúria: o perfume da tua pele a banhar-se na seda da minha sede em botão...Amar-te simplesmente pela manhã: ver a luz a coar-se no mel dos teus olhos adocicando os meus...

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