Ontem li algures que "os sentimentos não se lêem, escutam-se..." e, com esta ideia, com este sonho mais doce (não, não era o da Doris - apesar de aconselhar a leitura deste livro) a noite foi gentilmente deixada ao acaso: na transparência de um silêncio tranquilo, transmitido pela leve sensação de um sentir que se move, em todos os sentidos!
E, deliciada no meu imaginado mundo, voluteava-se, em minha direcção, uma pétala de uma desfolhada papoila: vejo-a delicadamente pousar no meu ombro; sinto a doçura suave do seu toque aproximar-se ao meu ouvido; ouço-a num purpúreo murmúrio, como quem pergunta: Hummm, se os sentimentos não se lêem, porquê é que é tão valorizado o que se escreve...porquê é que são tão apreciadas as cartas de amor? E, com a pergunta da suave pétala acabadinha de atravessar a ombreira da porta do meu pensamento, este, sem muito reflectir e muito menos sem nada me perguntar formula, de imediato, uma outra questão: será que Álvaro de Campos afinal tinha razão ao afirmar que "Todas as cartas de amor são ridículas", ou sabia, a priori, que só as criaturas com sensibilidade para ouvirem os seus próprios sentimentos é que teriam a capacidade de ouvir o mistério das palavras escritas?
Entretanto, adormeci...
Sweet dreams...
Acordei...e, julgando-me segundo os meus pensamentos em detrimento dos meus sonhos, aqui estou eu a dar movimento à escuras teclas que tocam nos meus dedos e a dar início a algo que eu própria nem sei bem o que é...mas já que acordei, isto pode ser o despertar...a ver vamos! :)
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
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